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A Evolução do Vale Transporte

O aumento do valor das passagens de transporte público em grandes cidades segue gerando enormes controvérsias. Em 2013 foi o estopim para uma série de protestos que tomaram as ruas de todo o Brasil e cujos desdobramentos vemos até hoje, com o crescimento de manifestações públicas com demandas políticas e sociais. Mais recentemente, em janeiro passado, outra série de protestos tomou as ruas de São Paulo pedindo, como três anos atrás, não apenas a revogação do aumento, mas também a gratuidade nos ônibus, trens e metrôs do município.

Os intermináveis debates e as respostas, muitas vezes evasivas, da classe política às demandas se arrastam até hoje, dando sinais de que o imbróglio está longe de acabar. Por outro lado, uma decisão de mais de 30 anos atrás consegue acalmar os ânimos de pelo menos duas partes da sociedade: a classe trabalhadora, que representa os maiores utilizadores do sistema de transporte, e o empresariado, como veremos mais adiante.

Criada em 1985 e outorgada dois anos depois, a lei que obriga a concessão do Vale-Transporte é considerada uma das maiores vitórias trabalhistas brasileiras. Pela norma, os funcionários com registro em carteira assinada devem ter seus deslocamentos de casa ao trabalho e vice-versa subsidiados pelos empregadores ao custo máximo de 6% de seus vencimentos mensais. Trocando em miúdos, caso ganhe um salário mínimo (R$ 880), o funcionário gastará mensalmente R$ 52,8 com transporte, um valor muito inferior aos R$ 167,2 que gastaria no mesmo período caso tivesse que arcar integralmente com esses gastos (a estimativa foi feita com base no valor do preço do ônibus, trem e metrô de São Paulo, R$ 3,80, considerando-se 22 dias úteis de trabalho). Se tiver que combinar diferentes modais de transporte, como ônibus e metrô, as vantagens seriam ainda mais significativas.

Do ponto de vista do empresariado, a concessão do benefício culminou na redução do índice de faltas e atrasos, isso porque antes os funcionários, para economizar, acabavam andando quilômetros a pé ou de bicicleta para chegar ao trabalho. Com a queda do absenteísmo, os empregadores obtiveram melhorias na produtividade, gerando maximização dos lucros. Segundo dados da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), o vale-transporte representa hoje cerca de 47% das viagens urbanas feitas em todo o país.

Além disso, com o advento de novas tecnologias, o sistema de concessão do benefício passou a ser muito mais seguro, tanto ao empregado quanto ao empregador. De bilhetes em papel, fichas e pagamentos em dinheiro, que logo se convertiam em moedas de troca no mercado negro, para mitigar esta pratica, 1997, em Campinas, surgiu o primeiro sistema de bilhetagem eletrônica no setor de transporte coletivo urbano no Brasil.

O inicio da operação, controlada pela associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Campinas (Transurc). Até novembro 2004 a maioria dos usuários do transporte coletivo urbano de Campinas utilizavam os cartões com tarja magnética.

No dia 8 de novembro de 2004, a Transurc implantou uma nova tecnologia e mais moderna, utilizando cartões inteligentes, denominados smart-card.

A partir de 29 de abril de 2006 Campinas implanta o Bilhete Único, que da direito a integração temporal, com ele o usuário pode utilizar até três ônibus no período de duas horas e pagar apenas uma tarifa.

A Transurc disponibiliza também o Bilhete 2 Viagens para atender especialmente usuários esporádicos, turistas e visitantes de outras cidades.

De 1997, 90% das cidades brasileiras, com mais de 100 mil habitantes utilizam algum modelo de bilhetagem eletrônica, hoje sendo utilizado em 74% das viagens, para o vale transporte, como também para vale comum e estudante, segundo a NTU. A tecnologia promove ainda um gerenciamento do sistema de transportes mais adequado, permitindo levantamento de dados para melhorar a operação, como redução no tempo e embarque.

O vale Transporte ganha mais força no setor empresarial e ainda promove mobilidade nas metrópoles, mas principalmente garante a segurança do trabalhador  e o direito de ir ao encontro do seu local de trabalho e retornar aos seus lares para as suas famílias.

por Ubirajara Kojirol

 

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